Universidades de Medicina em Portugal com processos de Equivalência em curso

Olá colegas!

Percebo que muitos têm dificuldade em encontrar informações sobre as Universidades, lista de documentos, quais estão com processos abertos etc. Por isso, tentarei manter esse post atualizado com essas informações, bem como os links, facilitando assim sua busca.

Em Portugal temos 07 faculdades de medicina (link), mas nem todas realizam o processo de equivalência.

  • Universidade de Coimbra – não realiza o processo de equivalência. Porém possui ótimos cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado. Vale conferir!

  • Universidade Nova de Lisboa – realiza o processo de equivalência. Até o momento, apenas realizará a finalização dos processos de 2017. Mas fiquem atentos, pois pode abrir a qualquer momento.

(Procedimentos__Equivalência_à_Licenciatura_em_Meduicina_e_atribuição_do_Grau_de_Mestre_em_Medicina).

(Aviso_Reconhecimento)

Data das provas – (AVISO_equivalência)

Para mais informações: academicos@nms.unl.pt


  • Universidade do Algarve: NÃO ABRIRÁ PROCESSO EM 2018. Em caso de dúvidas, entrar em contato.
  • enviar e-mail para: acad@ualg.pt

  • Universidade da Beira Interior –Até a presente data, não há informação sobre abertura do processo para 2018.

Busquei nos grupos do facebook e achei essas orientações dadas por e-mail. Então, enviem mensagem questionando sobre o processo caso tenha interesse.

Retirado do Site:

“Equivalência/Reconhecimento

(ao abrigo do Decreto-Lei nº 283/83, de 21 de Junho)

O Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho estabelece um sistema de equivalência/reconhecimento com base numa reavaliação científica do trabalho realizado de habilitações estrangeiras de nível superior, às equivalentes habilitações portuguesas, com vista à obtenção do grau correspondente. Pode também obter informações na DGES

PROCEDIMENTOS

Para solicitar equivalência/reconhecimento do curso estrangeiro, deverá ter em conta os cursos ministrados pela UBI na mesma área ou em área afim em http://www.ubi.pt/Cursos

O pedido deve ser feito em formulário próprio em conformidade com a Portaria n.º 1071/83, de 29 de dezembro, (estes formulários estão disponíveis na página da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, podendo igualmente, ser adquiridos nos Serviços Académicos da UBI).

Aquando da instrução do pedido de equivalência, o requerente deve ter em atenção os documentos referidos nos artigos 4.º, 8.º e 12º do Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho, conforme o grau a que é solicitada a equivalência. Estes documentos deverão ser devidamente autenticados pelo agente consular português no País de origem do diploma e/ou legalizados pela Apostila de Haia nos termos da Convenção relativa à Supressão da Exigência da Legalização de Atos Públicos Estrangeiros, assinada em Haia a 5 de outubro de 1961. (Pode também consultar o site da DGES)

O pedido de reconhecimento terá enquadramento, apenas quando se verifique o disposto no capítulo V do artigo 14º do Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho que deve consultar

Os prazos são os descritos no Decreto-Lei n.º283/83, de 21 de junho, artigos 6.º, 10.º (60 dias úteis após nomeação do júri) e o artigo 13.º (60 dias úteis após a instrução completa do processo).

Os emolumentos devidos correspondem ao valor afixado na tabela de taxas e emolumentos da UBI. http://www.ubi.pt/…/S…/53/Paginas/288/Despacho_2014_R_23.pdf

Será necessária a tradução quando os documentos sejam escritos numa língua estrangeira que não o espanhol, francês, inglês ou italiano. As traduções deverão ser devidamente certificadas pelas autoridades competentes para o efeito.

O pedido de equivalência deve ser acompanhado dos seguintes documentos gerais:

Certidão de Nascimento ou Cópia documento de identificação (BI/C.Cidadão/Passaporte; NIF), facultativo.

Requerimento apresentado pelo(a) interessado(a) ou por seu representante legal (procuração), utilizar formulário próprio (portaria nº1071/83 de 29 de dezembro). No formulário deve mencionar obrigatoriamente e de forma legível, 1) O grau de que é requerida equivalência e o estabelecimento de ensino onde foi obtido, 2) O curso lecionado na Ubi ao qual é pretendida a equivalência, acompanhado dos seguintes documentos:

Equivalência ao grau de mestre (capítulo III – artigo 8º) (a)

Diploma comprovativo da titularidade do grau de licenciado ou equivalente legal;

Diploma emitido pela universidade estrangeira, que comprove a titularidade do grau de mestre;

Documento emitido pela universidade estrangeira, onde constem as disciplinas em que obteve aprovação, a classificação final e, quando aplicável, apresentar os conteúdos programáticas e respetivas cargas horárias;

2 Exemplares da dissertação (formato digital ou em papel);

2 Exemplares de curriculum vitae (formato digital ou em papel);

Regulamento fixando as condições e admissão ao grau de que é requerida equivalência, aquando da obtenção do mesmo;

(a) Nota: Informamos os requerentes com habilitações de grau ou diploma de diferente natureza da de mestre que só poderão ser aceites pedidos de equivalência ao grau de Licenciado, para os cursos da UBI que são Ciclos de Estudo Integrados, com exceção dos requerentes com formação em Medicina, que conforme as Normas internas para a concessão de equivalência ao grau de mestre em Medicina, na Universidade da Beira Interior e respeitanto os prazos para a entrega do pedido (para as provas a realizar no ano 2017 – 20/04/2017) referidos no Anexo I das referidas Normas, devem formalizar o seu pedido, apresentando os seguintes documentos:

Formulário da INCM, modelo n.º 525 – Requerimento de Equivalência ao grau de Mestre;

Certidão de Nascimento, fotocópia do documento de identificação ou passaporte (facultativo);

Diploma do Curso (licenciatura em Medicina ou mestrado integrado em Medicina);

Documento emitido pelo estabelecimento de ensino onde constem as disciplinas em que obteve aprovação e que conduziram à obtenção do grau, duração dos estudos e a classificação final (ou as classificações parciais caso aquela não seja conferida);

Dois (2) exemplares de cada dissertação, caso exista, considerada autonomamente no plano de estudos;

Programas das disciplinas e respetivas cargas horárias do plano de estudos do curso de Medicina frequentado;

Currículo académico e profissional do candidato, acompanhado dos respetivos comprovativos;

Documento comprovativo do pagamento de todas as taxas e emolumentos, que não serão devolvidas no caso de desistência do processo;

Documento (Minuta) em que o requerente declara que só efectuou o pedido de equivalência nesta Universidade e que aceita que todas as comunicações que lhe forem dirigidas sejam efectuadas para o endereço de e-mail que indica neste mesmo documento;

Requerimento de inscrição para a Prova de Língua Portuguesa.

Se pretender solicitar dispensa da Prova de Língua Portuguesa deve formalizar o pedido através de requerimento, solicitando a dispensa, anexando a este um documento que comprove a habilitação do nível B1 do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, em Língua Portuguesa.

Todos os documentos originais devem ter tradução quando sejam escritos numa língua estrangeira que não o espanhol, francês, inglês ou italiano. Os documentos originais e as respetivas traduções terão de possuir a apostila de Haia ou ser reconhecidos por agente diplomático ou consular português no Estado onde o requerente obteve o grau e a assinatura deste agente, sendo autenticada com o selo branco consular respectivo.”


  • Universidade do Minho – realiza o processo de equivalência. Até o momento nenhuma publicação para 2018. Link

  • Universidade do Porto – Fiquem atentos, brevemente terá abertura o processo de 2018. Link (ler item Equivalências/Reconhecimentos Habilitações Estrangeiras)

  • Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – U.Porto (onde fiz meu processo) – realiza o processo de equivalência, mas pelo o que pesquisei se encontra fechada no momento. Deixo o site para quem desejar buscar maiores informações.

Sobre dúvidas em relação aos documentos, não hesite, entre em contato com a instituição. Demais dúvidas, caso possa ajudar, deixe o comentário que respondo.

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Inscrição e pedido de autonomia na Ordem dos Médicos de Portugal

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Inscrição e pedido de autonomia na Ordem dos Médicos de Portugal

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Como prometido, dou continuidade aos passos. No post 2, parei no sexto passo, então vamos lá! Em 17 de agosto de 2016, recebi o documento de equivalência pela Universidade do Porto, com isso tracei uma meta de em três semanas levantar todos os documentos que precisava para realizar a inscrição e pedido de autonomia. Já aviso: NÃO FAÇAM ISSO! Nossa, Fátima, o que houve? Vocês vão entender que é pouquíssimo tempo para arrumar tudo.

Lista de documentos para inscrição (link para maiores informações)

DOCUMENTOS A APRESENTAR POR CIDADÃOS COMUNITÁRIOS LICENCIADOS FORA DA UNIÃO EUROPEIA

1 – O requerimento de inscrição apresentado por cidadãos comunitários, licenciados fora da União Europeia, deve ser acompanhado dos seguintes documentos:

  1. a) Bilhete de Identidade, Passaporte ou Autorização de Residência, ou fotocópia autenticada ou conferida pelos serviços da Ordem dos Médicos;
  2. b) Certidão de licenciatura ou fotocópia autenticada;
  3. c) Certificado de equivalência, emitido por estabelecimento de ensino superior português;
  4. d) Certificado do registo criminal, emitido há menos de 3 meses;
  5. e) Cartão de contribuinte fiscal ou fotocópia autenticada ou conferida pelos serviços da Ordem dos Médicos;
  6. f) Três (3) fotografias originais, tipo passe (foto 3×4, normalmente “apanhamos” até descobrir o que é);
  7. g) Prova da honorabilidade profissional, emitida pela entidade competente para o registo e controlo disciplinar dos médicos do país de origem ou proveniência, que ateste que o interessado se encontra em condições legais de exercer a profissão sem restrições e que não existem processos disciplinares pendentes ou sanções disciplinares;
  8. h) Curriculum Vitae elaborado e instruído de forma a comprovar o exercício profissional lícito e efectivo da profissão médica;
  9. i) Certificado de nacionalidade (pode ser dispensado mediante apresentação do passaporte).

2 – Para determinar se é viável o exercício autónomo da profissão, deverão os interessados juntar prova da experiência profissional adquirida durante três anos consecutivos nos últimos cinco e currículo que será submetido à apreciação da Ordem dos Médicos, nos termos previstos no Regulamento para o Exercício Autónomo da Medicina.

3 – Salvo deliberação do Conselho Regional competente em contrário, o interessado que nunca tenha estado inscrito na associação profissional que regula a profissão médica no seu país de origem ou proveniência, deverá, em substituição do documento referido na alínea g) do número anterior, juntar certidão que confirme esse facto.

4 – Sempre que o interessado não demonstre preencher as condições a que se refere o n.º 2 deste artigo, mas cumpra todos os demais requisitos, apenas poderá ser inscrito para o exercício da profissão sem autonomia.

5 – Caso o diploma extra-comunitário tenha sido reconhecido por Estado-membro da União Europeia, o Conselho Regional competente procederá à avaliação desse diploma e da formação e/ou experiência profissional adquiridas nesse Estado, de forma a apurar se são equivalentes aos exigidos em Portugal.

6 – Para efeitos do previsto no número anterior, o interessado deverá juntar, além dos referidos no n.º 1, os seguintes documentos:

  1. a) Certificado de equivalência, emitido por entidade comunitária competente;
  2. b) Documentos comprovativos do exercício profissional realizado no Estado-membro que reconheceu o diploma extra-comunitário;
  3. c) Documentos respeitantes à formação complementar/contínua obtida nesse Estado-membro.

7 – Aos cidadãos referidos no número 1 é exigida a aprovação em prova de comunicação médica, a definir em regulamento próprio.

8 – Estão dispensadas da prova referida no número anterior os licenciados por

Universidade cujo ensino seja ministrado em língua portuguesa.

Não disse que vocês entenderiam que o tempo foi curto. rs

Continuando… Todos os documentos, prestem atenção TODOS devem estar com o selo de Haia. Fátima, mas não é isso que fala na lista de documentos. Ok, concordo! Mas eu passei pelo processo e sei o que estou falando. Se desejam evitar problemas e mimimi, coloca esse maldito selo em tudo. Digo maldito pois gastei 2500 reais com meu marido, fora que ao levar no cartório, descubro que todos os documentos devem ser digitalizados e não fica pronto no mesmo dia, assim como o selo estava em falta. Esse “Kinder Ovo”  apareceu faltando dois dias para nosso embarque.

Após tanta confusão e nervosismo, chegamos na Ordem dos Médicos do Porto. Eu tremia igual vara verde, medo absurdo de algo dar errado. Sentamos, falamos o que desejávamos e começaram a avaliar cada documento. Num determinado momento, resolvem dizer que meu diploma estava errado (mesmo com o selo). A questão foi a porcaria do selo de autenticidade, que não tinha como não existir pelas leis brasileiras, a coisa foi tão séria que perguntei se queriam ficar com meu diploma original. Sabem qual foi a resposta? – Doutora, seu diploma original não possui o selo de Haia, então ele não me diz nada, pode ser falso. OIIIIIIII? Tive uma criança que nem na minha barriga habitava. No fim, tudo foi resolvido. Porém foi muito chato!

Documentos entregues, preenchemos e assinamos algumas folhas e, orientados a aguardar aproximadamente três meses. Na primeira semana de novembro, recebo essa carta:

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Como não podia “abandonar” o trabalho mais uma vez, assim como as passagens estavam caríssimas, pedi mais umas vez auxílio ao advogado Rafael Perszel (rafael@perszel.com.br) para realizar minha inscrição. Tinha apenas 60 dias a contar da data do envio da carta.

Em 20 de dezembro, estava inscrita e com número, faltando apenas solicitar a cédula profissional.

O processo do meu esposo teve resposta apenas em janeiro de 2016, demorou mais pois ele conseguiu a autonomia.

Perguntas frequentes:

Existe diferença no processo do Porto e Lisboa?

Sim. No Porto podemos dar entrada na inscrição junto com o pedido de autonomia. Em Lisboa, primeira a inscrição e depois o pedido de autonomia.

Conseguindo a cédula pelo Porto, depois preciso validar em Lisboa por serem cidades diferentes?

Não. Aqui é totalmente diferente do Brasil. Podemos atuar em qualquer canto de Portugal, sem ter que dar baixa ou entrada em determinada cidade.

Existe algum valor anual pago?

Sim. 130 euros. Quem não possui autonomia é mais barato, no caso 80 euros.

Caso tenham mais alguma pergunta, deixa nos comentários que respondo.

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Como é ser médico em Portugal?

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Como é ser médico (a) em Portugal?

Colegas de profissão, para poder trabalhar aqui é necessário ter a equivalência (como explicado o passo a passo no Post 2). Com ela em mãos, iremos solicitar a inscrição na Ordem dos Médicos de Portugal (irei escrever sobre esse processo). Após poucos meses receberá uma das duas respostas:

– Exercício da profissão com autonomia (situação do meu esposo)

– Exercício da profissão sem autonomia (meu caso)

Fátima, qual a diferença?

  • Na primeira, o profissional se encontra apto para atuar no país como generalista. Porém prestem atenção que, grifei a palavra generalista. Aqui em Portugal, chegamos assim, podendo trabalhar apenas como clínico geral, não podemos dar plantão em emergência vermelha, CTI ou qualquer outro setor, nesses locais apenas os especialistas, não sendo a mesma bagunça do Brasil. Profissional em Portugal precisa ser qualificado para assumir determinado setor. Caso queira ser especialista cá, necessita revalidar a especialidade (explicação) ou fazer o internato (residência). Só existem essas formas.
  • Na segunda, o profissional precisa realizar o ano comum (parecido com nosso internato), após esse ano, terá uma prova e tudo correndo bem consegue autonomia. Deixando claro que nesse período o profissional não pode trabalhar, bem como não irá conseguir emprego.

 

Quanto ganha um médico generalista?

Antes de falar sobre valores, informo que apenas trabalhamos em postos de saúde, penitenciárias e urgências, mas nas urgências apenas pacientes classificados como azul, verde, amarelo (classificação de risco), nada além disso. Quando escrevo isso é apenas para exemplificar que nossa contratação é para esses atendimentos bem básicos, alguma complicação passamos para a medicina interna, por exemplo.

Dependendo do sítio escolhido para residir teremos, mais ou menos ofertas de trabalho. Podemos receber entre 16 até 27 euros por hora de trabalho (façam contas entre 19 e 21 euros), sendo esse valor bruto (post 9 – item IRS). Um especialista pode ganhar de 28 até 70 euros por hora de trabalho. Estou falando de valores pelo serviço público, não tenho idéia de valores praticados em hospitais privados, porém dizem pagar melhor.

Os locais de trabalho são distantes?

Na grande maioria sim. Dependendo da sua morada, pode levar até duas horas de carro.

Começo a trabalhar automaticamente?

Não! Para iniciar seu trabalho em Portugal, necessita de NIF, IBAN (conta bancária – como abrir?), abertura de atividade nas finanças, seguro social, seguro de trabalho, cédula profissional, comprovar morada, ter visto ou cartão cidadão. Com todos esses documentos em mãos, as empresas enviam para os hospitais analisarem seu curriculum.

Posso fazer uma pós-graduação para ser especialista?

Não existe pós-graduação para conseguir uma especialidade, existem cursos de pós-graduação, mas nenhum deles irá conferir especialidade.

Consigo abrir um consultório sem especialidade?

Não vejo possibilidade alguma. Muito provavelmente, para abrir um consultório você terá que comprovar requisitos básicos. Não faço idéia de como montar um consultório, bem como documentos solicitados.

Outro detalhe, sem provar ser especialista aqui, como vai conseguir inscrição nos seguros de saúde (planos de saúde)? Qual cidadão português irá confiar sua saúde num médico estrangeiro e sem especialidade reconhecida cá?

Como faço para revalidar minha especialidade?

Explicação no post 7.

Quanto tempo dura o internato (residência)?

12 meses (ano comum) + 6 anos (neurocirurgia e outras)

12 meses (ano comum) + 5 anos (cardiologia, anestesio, neurologia, radiologia etc.)

12 meses (ano comum) + 4 anos (medicina de família)

Consigo “pular” o ano comum tendo autonomia?

Não soube de nenhum caso. Esse ano meu esposo vai ao exame, quando tiver mais detalhes, escrevo sobre.

O ano comum é remunerado?

Sim! Valor de 1400 euros bruto.

Como funciona o pagamento?

Em Portugal recebemos por hora trabalhada, não se utiliza o termo plantão, chamamos de banco de horas, pois na verdade você monta o seu horário. Ex: Desejo entrar 10:00 e sair 14:00. Após montar e cumprir seu banco de horas no mês, vamos passar o recibo verde com o valor total das horas trabalhadas, até o dia 15 receberemos em conta o valor pelo mês trabalhado.

O médico é valorizado?

Sim! Aqui um médico é bastante valorizado e tem seu reconhecimento pela população.

Os hospitais são como no Brasil?

Não! Aqui você tem condições de trabalho, bem como protocolos. Também jamais terá uma fila de atendimento com 70 pacientes aguardando na tela, não vai assumir um plantão faltando insulina ou determinados exames. A medicina é muito mais organizada, não há comparação.

Fátima, você não tem autonomia, mas conseguiu trabalho?

Consegui emprego, mas não como médica. Foi oferecido auxiliar de serviços gerais (técnico de enfermagem), com uma remuneração bem baixa, 5 euros por hora sem os descontos. Também poderia trabalhar em lanchonete, em farmácias etc. Minha opção foi permanecer em casa estudando para o internato (residência).

Caso alguém tenha mais alguma dúvida, deixa um comentário que respondo se souber.

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Bairros perigosos em Portugal.

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Locais perigosos em Portugal.

Fátima, para tudo! Como assim local perigoso, você não disse que é um paraíso? Infelizmente aqui também temos alguns locais que, se possível devemos evitar. Para ficar menos agressivo, substituo por locais problemáticos.

Há dois meses acompanho quase que diariamente os jornais, as 04 mortes divulgadas, as vítimas tinham envolvimento com o assassino, nenhuma foi por assalto. Teve um caso num concelho de Lisboa, um menino voltando da escola, entrou no restaurante, solicitou a entrega do seu almoço e entrou no prédio. Foi quando percebeu que um homem estava na escada com fita cola (fita adesiva), pegando a criança, obrigando a mesma a abrir o apartamento, amarrando a criança. Sorte do menino que havia feito o pedido do almoço, pois quando tocaram o interfone, o ladrão se assustou, levando apenas um celular e 25 euros.

No centro de Lisboa, também encontramos muita oferta de drogas, sem exageros. Fato que não me agradou e me fez não querer residir por lá, não foi esse o único motivo, porém contribuiu.

Em agosto de 2016, pegaram um grupo de 36 homens que praticaram assaltos em Cascais. Notícia.

Posso afirmar que a polícia abre investigação e consegue pegar quem comete os crimes. Policial em Portugal é respeitado e valorizado pela população, bem diferente do Brasil.

Os bairros mais problemáticos ficam situados na periferia das grandes cidades. Quando iniciei minha pesquisa para decidir onde morar, perguntei e li bastante sobre, esses bairros que listo abaixo são os mais comentados.

– Bairro do Alto da Cova da Moura – Amadoura

– Bairro 6 de Maio – Amadora

– Bairro Estrela d’África – Amadora

– Bairro Santa Filomena – Amadora

– Bairro Branco – Almada

– Bairro Quinta da Princesa – Seixal

– Bairro do Cerco – Porto

– Bairro Quinta do Mocho – Loures

– Bairro do Aleixo – Porto

– Bairro Quinta da Fonte – Loures

– Bairro da Bela Vista – Setúbal

– Bairro Pinheiro Torres – Porto

– Bairro da Torre – Cascais

– Bairro da Cruz Vermelha – Alcabideche

– Bairro do Ingote – Coimbra

– Bairro da Rosa – Coimbra

– Bairros de Chelas – Marvila

– Bairro Padre Cruz – Carnide

– Bairro da Cruz Vermelha – Lumiar

– Horta Nova – Carnide. Um dos mais problemáticos bairros de Lisboa. Funciona como uma base de delinquentes que atuam em várias zonas da cidade e do país.

– Bairro do Vale do Forno – Lisboa

– Bairro da Quinta do Cucos – Lisboa

– Bairro “Portugal Novo”, nas Olaias – Alto do Pina

– Quinta do Lavrado – Olaias

– Bairro da Serafina e Liberdade – Campolide

– Bairro de S. João de Brito – Freguesia de São João de Brito

– Bairro das Murtas – Campo Grande

– Bairro do Rego – Lisboa

– Bairro do Afonseiro – Montijo

– Bairro Azul – Setúbal

– Bairro das Palmeiras – Setúbal

– Em Sintra temos três principais pontos: Queluz, Rio de Mouro e Mem-Martins

– Bairro de Povos – Vila Franca de Xira

– Bairro do Olival de Fora – Vila Franca de Xira

Então antes de arrendar (alugar) seu imóvel, leia sobre o bairro e adjacências. Por mais que não seja o mesmo nível de violência do Brasil, sempre bom ficarmos afastados de problemas. Não confie plenamente em agentes imobiliários, confie nas suas pesquisas.

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Custo de vida em Portugal

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Olá!

Hoje decidi falar sobre custo de vida em Portugal, já assisti muitos vídeos, bem como li muitos blogs e afins, percebi que sempre é colocado um valor muito baixo em tudo etc. Então acho interessante fazer um apanhado geral, pois cada um possui um estilo de vida e lógico isso faz muita diferença nas contas no fim do mês.

Perguntas básicas que devemos fazer antes de iniciar nossa vida:

  • Qual o valor mensal da renda de minha família?
  • Quanto serei descontado do meu IRS (imposto de renda)? Caso seja aposentado e sua renda venha do Brasil ou algo parecido, pensar no valor líquido da renda.
  • Desejo ter uma carga horária semanal de trabalho longa?
  • Em qual sítio desejo morar?
  • O frio me incomoda?
  • Quantas pessoas dependem da minha renda?
  • Desejo plano de saúde?
  • Qual tipo de locomoção vou utilizar, carro, metro ou comboio?
  • Consigo comer outra carne sem ser apenas de vaca?
  • Tenho tempo para cozinhar em casa?
  • Vou precisar de empregada?
  • Quero morar em casa ou apartamento?
  • Qual pacote de internet + TV + telefone fixo / móvel é ideal para mim?
  • Fumo muito ou pouco? Cigarro aqui é caro.
  • Vou colocar meu filho (a) em escola particular?
  • Me importo de consumir mercadorias da marca Jumbo, Continente, Pingo doce (mercados)?
  • Caso tenha carro, vou colocar no seguro?
  • Quanto vou gastar de pedágios?
  • Preciso de passadeira?
  • Quanto vou gastar de combustível caso tenha carro?
  • Quanto vou gastar de água, luz e gás?
  • Uso algum tipo de medicamento regular?
  • Vou querer fazer inscrição em academia?

Se posso dar uma super dica é essa: Coloquem absolutamente tudo na ponta do lápis e no final soma mais 100 euros.

Percebam que temos infinitas variantes, fazendo com que você possa ter um custo mensal de 500 euros até 6000 euros ou muito mais. Caramba Fátima, seis mil euros? Ué, cada pessoa possui uma renda, algumas ganham muito e outros nem tanto. Porém deixo claro uma coisa, independente do seu estilo de vida, você sempre terá qualidade de vida, coisa que nenhum cartão Mastercard ou conta bancária recheada vai lhe proporcionar.

O salário mínimo em Portugal é 557 euros, normalmente o mínimo que se ganha é por volta dos 900 euros mês (ex: funcionário de lanchonete). Creio que cada um saiba quanto deve ganhar cá. Depois escrevo um post só para médicos em relação ao salário e finanças.

O IRS (imposto de renda) depende muito, um médico é descontado em média 25%  + segurança social, que creio ser 11% pelo que li e vi no aplicativo, mas isso vai ter variação de acordo com o que se ganha, também  não se aplica para todas as categorias. Caso tenha curiosidade existe um aplicativo chamado “Salário Líquido“. Estou atualizando esse item, pois como ainda tenho muitas dúvidas e também não fiz o meu, prefiro deixar o depoimento de quem passou por isso. Ano que vem, falo sobre quanto pagamos, bem como os descontos.

Caso você queira e tenha disposição para trabalhar além do normal, consequentemente ganhará mais, mas também pagará mais imposto. Deixando claro que nem todas as profissões tem essa opção, porém no caso de um médico por exemplo, que monta seu banco de horas (depois falo com calma sobre esse assunto).

O local que pretende morar irá fazer muita diferença em seu orçamento, se optar por residir numa zona fora dos grandes centros ou até mais para interior, vai conseguir alugar um apartamento de 2 até 3 quartos entre 300 até 600 euros. Se vier para Cascais, por exemplo, não vai encontrar. O valor vai em média de 700 até 2000 euros (tem mais caros, como sempre digo o céu é o limite), o mesmo se aplica para bairros mais bem localizados no centro de Lisboa ou até mesmo o Porto. Prometo que vou escrever sobre aluguéis, sites de busca e como procurar, bem como os cuidados ao alugar, para não passarem pelo mesmo problema que eu.

Sobre o frio, existem regiões com custo de vida mais baixo, porém são muito frias, no meu caso, sem condições. Então pensem bem nisso.

Existem vários seguros saúde (plano de saúde), também vou explicar esse item com calma. Mas para ter noção, um plano muito básico, 8 euros mês, um plano top custa 70 euros (tipo o melhor do Rio de Janeiro).

Caso queira ter um carro, sua parcela pode ser de 125 euros até 800 euros, isso vai depender do valor da entrada, valor do carro, número de parcelas, modelo de financiamento. Mas garanto que não se compara aos preços praticados no Brasil, não mesmo. Se utilizar metro e ônibus, existe um cartão que custa uma média de 36 euros e vale para 1 mês. Comboio também é barato.  Uma passagem de Cascais até Lisboa custa 2,20 euros.

Carne de vaca é mais cara, 500Kg de carne moída custa 5 euros, o frango você paga 3,50. Se quiser viver só de carne, será um pouco mais caro.

Se desejar comer todos os dias na rua, irá gastar por refeição uma média de 05 até 12 euros por pessoa. Se fizer comida em casa, sua economia será absurda, sem exageros.

O custo de uma emprega é bem elevado. 06h de trabalho = 100 euros. Não preciso falar mais nada.

Os pacotes de TV + internet mais telefone fixo / celular custam em média 25 até 71 euros no máximo. Usamos pacote NOS.

Se você gosta de fumar, prepare seu bolso, isso pode custar de 4,50 até 6 euros o maço.

Querendo matricular seu filho numa escola particular, o custo pode variar de 200 até 500 euros.

Consumindo os produtos da marca do supermercado, irá conseguir uma ótima economia. Pode comprar tranquilamente, são ótimos.

O seguro de um carro pode ir de 100 até 700 euros no ano.

Pedágio vai depender muito, caso tenha certeza que irá utilizar, coloque uma média de 2 euros por cada passagem. Outro item que preciso retificar. Felipe começou a trabalhar, um dos locais de trabalho ele gasta com ida e volta 11.30 euros (distância 50 minutos). Para facilitar utilizem esse site, pois além do valor da portagem (pedágio), terá estimativa do valor de combustível (viamichelin).

Precisando de passadeira, o custo fica em média de 70 euros por 130 peças de roupa.

Gasolina custa em média 1,48 por litro. Então só fazer as contas.

O valor da água e do gás são baixos, coloque 40 euros os dois. Luz depende do modelo de consumo que você solicita, mas faça uma média 20 cêntimos /KWh.

Os remédios são extremamente mais baratos que no Brasil, mas isso depende de cada pessoa e também não tenho como fazer uma estimativa.

Uma academia pode sair entre 20 até 70 euros/mês, depende mais uma vez do sítio e modalidade.

Acho que dessa forma, consigo ajudar cada família a ter uma idéia do custo médio para se viver em Portugal.

Coloco abaixo uma compra que fiz no Supermercado Continente.

Compras Continente

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Viagem gastronômica – Arcadas

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Sabe aquela velha frase: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Pois!

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Uma das experiências mais incríveis que tive no que se refere a gastronomia foi no restaurante Arcadas da Capela. Um minuto de pausa para me recompor… lembrar desse dia é algo espetacular. Cada prato uma viagem, uma delicadeza sem fim, uma explosão de sabores, sem falar na perfeição da execução dos pratos, algo incrível que marca você para sempre e faz querer repetir outras tantas vezes.

O restaurante fica localizado no Hotel Quinta das Lágrimas situado num palácio do século XVIII no coração de Coimbra. O palácio, entregue pelos Reis e Imperadores, foi restaurado na Primavera de 2016 com toda a sua glória e é agora um hotel monumental que homenageia a história de amor entre a bela nobre Inês de Castro e o príncipe Pedro.

O único ponto negativo é o preço, mas que na minha opinião vale o valor pago. Um jantar custa 75 euros por pessoa, sem bebida. Importante ressaltar: faça reserva para não haver surpresas.

Para passar uma noite em um dos magníficos quartos do palácio o valor inicial é 210 euros/noite com pequeno almoço (café da manhã). Deixando sua estadia mais completa o hotel conta com um maravilhoso Spa.

Bamboo Spa

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Como revalidar a especialidade médica em Portugal?

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Olá pessoal!

Hoje trago um assunto que causa muita dúvida, incerteza e acaba por fazer muitos desistirem. Porém, melhor saber a verdade do que ficar cheio de ilusões.

Consigo revalidar minha especialidade?

Antes de responder, deixo uma coisa bem clara, pois isso de certa forma me incomoda. Recebo muitas mensagens e leio muitos comentários do tipo: “Olha, é fácil, pega os documentos, entrega e automaticamente você já é médico (a) em Portugal”. Pior que isso é quando perguntam: Posso comprar a passagem e ir? Vocês estão bem de vida? Felipe já abre muita cabeça (ele é neurocirurgião)? Em resumo, perguntas sem assimilação nenhuma de conteúdos.

Quando você entra nesse processo precisa vestir uma camisa chamada “eu não sou nada e nem ninguém” em Portugal. Nossa Fátima, que horrível, que energia negativa, como assim não sou nada? Sim, aqui quando chegamos é assim, ninguém me conhece, não temos história cá, existe reserva de mercado, nossa formação é bem diferente, os protocolos acabam por não ser iguais, o sistema de saúde não é o mesmo… com tudo isso sabemos que precisamos ter nossos pés firmes ao chão e nos adaptar, assim como ganhar território paulatinamente.

Após passar pelo processo de equivalência (Post 2 e Post 6), inscrição na Ordem dos Médicos e finalmente possuir sua cédula profissional, todos iniciam como generalista, podendo atender apenas em centros de saúde, penitenciárias e urgências, sendo esse último local apenas pacientes classificados como verde e azul (cefaléia, pico hipertensivo, febre, atendimento básico). Aqui, logo de cara percebemos como é diferente do Brasil, onde um recém-formado faz plantão em CTI e emergência vermelha. Até hoje não conheço ninguém que tenha entrado trabalhando em sua especialidade e na minha opinião, acho impossível, pelo pouco que vi. Em outra postagem falo como começar a trabalhar e ofertas de emprego.

Guardado para si a informação acima, vamos ao processo em si e no fim darei alguns depoimentos que li e escutei, como o depoimento de meu esposo.

Link das especialidades em Portugal 

Novo Estatuto da Ordem dos Médicos (ler a partir do artigo 125.º em diante)

Para informações mais detalhadas como documentação necessária para dar entrada no processo, sugiro ligar ou entrar em contato diretamente com a Ordem dos Médicos.

Um colega publicou no grupo que acompanho que, após envio do e-mail solicitando maiores informações à Ordem dos Médicos, recebeu a seguinte resposta:

“… uma vez inscrito na Ordem dos Médicos de Portugal, poderá solicitar a equivalência da Vossa especialidade: Enviando requerimento solicitando a equivalência da especialidade ao abrigo do Artigo 92º, 2º do Estatuto da Ordem dos Médicos, acompanhado de 5 Currículos (1 em papel e 4 em suporte digital) detalhando o seu percurso na especialidade assim como documentação comprovativa em como é detentor da mesma, um dos Currículos deverá ter documentos comprovativos originais ou fotocópias autenticadas…”

É possível revalidar a especilidade?

Publicação de um colega no grupo do Facebook: “Colegas, vou relatar o que me foi repassado por dois especialistas que estão em Portugal, um há 12 anos e o outro há 10 anos. Ambos fizeram o curso de residência médica no Brasil (em anestesia). Tendo obtido a equivalência e a autonomia, ambos solicitaram ao colégio de especialidade a validação da mesma. De modo protocolar foi negada. Depois disso ambos pediram para serem avaliados. Este pedido foi aceito. A prova por que passaram foi extremamente difícil (ambos disseram isso). Três dias de avaliação, com prova teórica, oral/escrita, arguição do curriculum, e um paciente (real – internado) serviu de caso clínico, em que foi solicitada uma entrevista, um plano de conduta pré, trans e pós-operatória. Este estudo de caso deveria ser preparado e entregue em um formato acadêmico bastante rigoroso, como uma pequena monografia (só lembrando que os colegas passaram visita numa tarde, preparam o caso, o estudaram e defenderam no dia seguinte), esta monografia foi questionada, e o caso debatido por 3 professores, junto com o candidato. Na tarde do terceiro dia, de todos os tópicos da residência médica (lá de Portugal – aqui no Brasil são 64) foram sorteados pelo candidato 5 e, por 3 horas, na presença de 3 membros do colégio de anestesia, os colegas expuseram seus conhecimentos sobre o tópico, seguidos de perguntas dos avaliadores. O resultado foi o seguinte: para um dos meus colegas, o mais velho, já com 25 anos de experiência, naquela data, foi concedida a especialidade, para o mais jovem (tinha saído da residência naquele ano, zero de experiência aqui no Brasil), foi solicitado complementação de conteúdo – 4 meses no programa de dor crônica e 6 meses em terapia intensiva. Feito os estágios e depois de entregues, foi conferida a especialidade.

Meu esposo é Neurocirurgião, com título de especialista pela Sociedade brasileira de Neurocirurgia, com experiência há 10 anos. Após conversa com chefes de serviço de Neurocirurgia e alguns colegas de outras especialidades, optou por refazer a residência, pois não era certo conseguir o título, assim como a incerteza de remuneração nesse período. Não é algo impossível, mas extremamente difícil, ainda mais que as residências cá são muito mais longas (neurocirurgia 06 anos, anestesio 05 anos e assim vai).

 Em 2014, conversamos com um anestesista, foi solicitado curriculum detalhado, bem como um resumo de todos os anos da residência contendo banco de horas, programa das disciplinas e anestesias realizadas, após isso precisou refazer algumas disciplinas e submetido à prova.

Não se esqueçam, cada um faz a sua história, para alguns será mais fácil que para outros, porém nada é impossível quando se deseja algo. Escolham o melhor caminho para si e não desistam.

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Post Destacado

Defesa da Tese de Mestrado para Equivalência em Medicina

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Dando continuidade ao Post 2, vou relatar a escolha do tema, sobre minha orientadora, por qual universidade fiz o processo de equivalência e muito mais.

Qual Universidade escolher para Equivalência de Diploma em Medicina?

Em 2013 não tinha essa quantidade de médico brasileiro querendo ir para Portugal, época que decidimos sair do Brasil. Lembro que em 2015, se não me engano, saiu uma reportagem com o aumento do número de processos de forma absurda. Essa breve introdução é para mostrar que hoje o cenário mudou muito. Até podemos escolher, só que atualmente nem todas as Universidades estão aceitando inscrição, então na minha humilde opinião, quem realmente deseja iniciar o processo, abrace aquela instituição que se encontra aberta. Continuando… tive oportunidade de escolher e minha opção foi a Universidade do Porto – ICBAS, estando entre as melhores universidades do mundo, fato este que chamou minha atenção.

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No período em que aguardava a resposta sobre minha documentação, fiquei pensando qual seria meu tema. Inicialmente pensei em esclerose múltipla, sempre fui apaixonada por neurologia, na época que atuei como fisioterapeuta, tive alguns pacientes, mas após pensar com calma, vi que poderia ser engolida pela banca examinadora, visto que a Europa entende muito do assunto e eu uma simples recém-formada. Minha segunda opção de trabalho foi hanseníase, pois quando acadêmica tive o prazer de acompanhar vários casos e após formada não foi diferente, fato que me fez ter muito interesse e estudar sobre a doença. Um dia, em conversa com minha futura orientadora, a mesma disse: “Não faça isso! Hanseníase é o temor de qualquer dermatologista, é um buraco sem fim. ” Então pensei: Quem sou eu para bancar isso? Como não sou nada nem ninguém, recuei mais uma vez. Com isso minhas opções terminaram, pois o que teria vontade de falar muito provavelmente iria me atrapalhar a conquistar o título. Foi quando minha querida orientadora e amiga Carolyne me deu uma luz, sugerindo que o tema fosse esporotricose. De cara torci o nariz e pensei: Que coisa mais básica! Então eu afirmo após trabalho concluído, ledo engano!

Vamos ao que interessa, após decisão do tema comecei minha pesquisa no PubMed, não queria o tema do meu trabalho sendo esporotricose e ponto final, então depois de muita leitura, encontrei um artigo que falava sobre a epidemia de esporotricose no Rio de Janeiro, isso foi o suficiente para acender uma luz e trazer para Portugal algo bem diferente.

Optei por revisão bibliográfica e apresentação de dois casos clínicos, com isso reforçava o tema do meu trabalho e artigo que tomei como base (o mesmo foi premiado). Realizei revisão de 70 artigos científicos. Sim, eu li por completo os 70 artigos mais três livros de dermatologia sobre o respectivo assunto. Minha orientadora fez a revisão, alguns ajustes, deu dicas e após dois meses o trabalho estava pronto.

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Dez dias antes da apresentação cheguei no Porto, passei todos os dias “trancada “no hotel (na ocasião foi o Hotel Infante de Sagres no Porto, muito recomendado), apenas saindo para comer e assistir a defesa do meu marido (tema foi sobre um paciente neurocirúrgico operado por ele). Nesse tempo, treinei muito, pois teria apenas 15 minutos de apresentação e nada mais (vale a pena levar um pointer com timer vibratório, como fizemos, no caso foi Logitech), não seria bom terminar antes, na verdade, queria precisão no quesito apresentação, ficando assim horas na frente do espelho repetindo a apresentação até conseguir. Lembro também que não parava de ligar para minha orientadora, cada dia tinha mais dúvidas e percebia que o assunto não tinha fim, que eles poderiam perguntar as mais variadas coisas, foi quando surtei e comecei a ler mais sobre imunologia, não sei dizer, mas foi um anjo me guiando para estudar mais sobre isso, falo isso pois na minha banca examinadora  tinha uma imunologista, a chefe da dermatologia do serviço da Universidade do Porto e o professor Dr. responsável por esse processo de equivalência.

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Cheguei antes da hora marcada e havia uma pessoa apresentando o trabalho, fiquei todo tempo concentrada, não queria ler mais nada, apenas desejava entrar e terminar com aquela sensação de medo e insegurança. Eis que chega minha hora, então tiro meu casaco, coloco meus óculos, pego minha caneta slide e penso: vamos com tudo!

O Presidente da mesa explica que terei 15 minutos de apresentação e depois uma hora de perguntas e respostas, me desejam boa sorte e eu começo. Como mentalizado e devidamente treinado, cumpri a promessa feita a mim, apresentar sempre no mesmo tom de voz, não tremer, não ficar apontando o laser para todos os lados, não esquecer de falar absolutamente nada, pronunciar os nomes corretamente e terminar faltando apenas alguns segundos. Assim que terminei fui elogiada pela ótima apresentação, que os slides apenas me guiavam, que as fotos eram ótimas, que havia apresentado muito bem… Ufaaaaaaa! Só que não terminava ali, infelizmente. Depois começaram a falar sobre o trabalho, que o mesmo estava muito bem escrito, que utilizei excelentes artigos, que os casos clínicos estavam bem explicados, que era um trabalho agradável de ler, bem como minha dedicatória era muito bonita. Foi então que percebi que eles leram todo o meu trabalho, sabiam cada detalhe, impressionante.

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Após os elogios, vamos para dura realidade das perguntas. A primeira foi sobre a decisão de validar o diploma em Portugal. Foi um momento muito bonito e emocionante, tanto que a banca ficou emocionada. Depois só bombardeio, sabe aquela música pega a metralhadora e trátrátrátrátrátrá, foi exatamente assim. A especialista em imuno, fez tanta pergunta, mais tanta que o Presidente da mesa logo deu um basta e passou a palavra para a próxima professora. Deixo claro uma coisa, em nenhum momento senti que o desejo era me atrapalhar ou prejudicar, tanto que em um dado momento não sabia como responder, eles ajudaram com uma dica e eu consegui concluir o raciocínio.  Após 60 minutos de ping pong, elogiaram meu curriculum e disseram que era uma mulher de trabalho. Pediram para aguardar alguns minutos que iriam avaliar e dizer se havia sido aprovada, passado 05 minutos escutei um maravilhoso –“bem-vinda à Portugal”. Saí da sala, me dirigi à secretaria onde assinei alguns documentos e voltamos para o hotel felizes e fortalecidos para o próximo passo.

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Perguntas frequentes:

– Houve facilidade por ser cidadã portuguesa? Não. O meu processo foi idêntico ao do meu esposo.

– Seu esposo é formado pela UFRJ, ele conseguiu a equivalência de maneira automática? Não. Isso é passado, esqueçam isso. O processo é igual para todos.

– Vocês fizeram prova? Caso não tenham feito, por qual motivo não foi solicitado? Não. Até hoje não sei como não fiz prova, já que era recém-formada e fiz faculdade particular. Acho que possa ter sido pelo meu curriculum, pois sou instrumentadora cirúrgica, fisioterapeuta e médica, sei lá! Jamais terei essa resposta.

– A banca avaliadora facilitou as perguntas por você ser recém-formada?  De forma alguma, segundo meu esposo minhas perguntas foram mais complicadas e demorou mais tempo.

– Quanto tempo levou da data que entregou os documentos até a defesa? Um ano e quatro meses.

– Após a defesa, o documento sai automaticamente? Não. Esperamos seis meses para receber o documento.

– Com o documento da equivalência em mãos, já sou médico (a) em Portugal? Não. Você precisa fazer a inscrição e solicitar autonomia (assunto para outro post).

Caso tenha dúvida, escreva no comentário que tento ajudar.

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