Entrevista com advogado português sobre o comunicado da Universidade do Algarve.

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Com a recente divulgação do fechamento da Universidade do Algarve em resposta para muitos candidatos, houve um certo pânico e desânimo generalizado. O objetivo deste artigo é tentar eliminar dúvidas eventuais e tratar a situação como se coloca.

 É importante ponderar que, para que estas perguntas e respostas não tenham quaisquer objetivos mercadológicos, todos os nomes mencionados nesta postagem, inclusive do advogado português, serão omitidos. O objetivo é a divulgação das informações e o cumprimento de uma função social e compromisso com a verdade, tanto por parte deste blog quanto do próprio advogado que se ofereceu a ser entrevistado.

Inicialmente, para que fique clara sua experiência na questão, poderia mencionar um pouco de sua atuação como advogado para questões de equivalência, reconhecimento e revalidação?

Atuo há cerca de uma década no assunto sendo ou tendo sido responsável por aproximadamente 400 processos de revalidação, entre finalizados e em curso na matéria, além de outras atuações no âmbito do direito internacional e migratório português. Sou advogado inscrito no Brasil, desde 2005 e em Portugal desde 2010.

Todos ficaram muito apreensivos com a mensagem da Universidade do Algarve sobre a questão dos processos de 2018. O que você entende desta mensagem?

A mensagem diz bastante em poucas linhas.

Coisas que estão claras:

  •   A Universidade do Algarve não vai aceitar processos no ano de 2018
  •   A Universidade do Algarve irá decidir sobre os processos anteriores a 2018.
  •  Uma Reunião do “Conselho de Escolas Médicas Portuguesas” decidiu não abrir   provas de equivalência no ano de 2018 e que com base nisto a Universidade do   Algarve também está fechando a recepção de seus processos.

Coisas que não estão claras:

  • A autoridade do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas. Não se trata de um órgão com força vinculante. As universidades seguem com sua autonomia de decidirem abrir o processo ou não.
  • Quais universidades efetivamente fecharão. Como as universidades são autônomas, para que não abram é necessário que decidam, uma a uma, emitindo uma declaração semelhante à que a UALG fez. Até agora, por escrito, temos conhecimento apenas da Universidade do Algarve

Alguns bastidores que merecem ser contados

Tomei conhecimento desta mensagem desde meados de dezembro, em seu envio para alguns candidatos, um deles meu atual cliente.

Debati isto com alguns amigos e formou-se uma “força tarefa extraoficial” de três pessoas: eu e mais dois profissionais que já passaram pelo processo de revalidação. Entramos em contato com representantes de diversas universidades portuguesas. Ao menos uma universidade deu quase certeza de que fará o processo este ano e que poderão ou não alterar critérios de seleção. Outras universidades se mantiveram silentes.

Além disso, há algumas noções importantes que vem sido esquecidas por conta do pânico generalizado que se formou:

  •  Não, o objetivo neste momento não seria impedir o ingresso de novos médicos no mercado. No último ano foram menos de 150 candidatos, no total (de todas as nacionalidades em todas as universidades), a concluírem positivamente o processo de revalidação. Destes, metade nem chega ainda a se inscrever na Ordem dos Médicos. Então, não, o número ainda não afeta a ponto de gerar uma necessidade de reserva de mercado. O número de interessados é muito maior que o que efetivamente faz o processo e, a cada fase, o número total vai se estreitando cada vez mais. Há sim, portanto, o interesse das universidades em si em reduzirem o número de candidatos para poderem analisar os seus processos com calma, mas não o interesse de gerar reserva de mercado ou o que o valha.
  • Há muitos tratados internacionais que seriam descumpridos se os processos fossem completamente inviabilizados por Portugal para a equivalência. Uma coisa é se dificultarem os critérios (como fizeram recentemente exigindo provas – o que, aliás, é mera reciprocidade com o que também acontece no Brasil em relação aos estrangeiros que ordinariamente procuram se inscrever no CRM). Outra coisa é se inviabilizar completamente os processos e para uma carreira específica. Se isto ocorrer, é bem possível de termos uma celeuma diplomática entre os dois países, como já aconteceu há anos no caso dos dentistas.
  • Lembrem também que inviabilizar o processo de equivalência é uma decisão que afeta a TODOS os estrangeiros. Não apenas os brasileiros.

Por estas e outras que uma declaração como a da Universidade do Algarve deve ser interpretada de modo estrito, apenas para a Universidade do Algarve e se deve procurar obter respostas por escrito de cada uma das Universidades que costumam fazer o processo.

Em nossa humilde opinião, ao menos duas universidades, uma mais ao norte e outra na região de Lisboa, devem abrir o processo. Isto é uma estimativa que tem em base respostas extraoficiais que recebemos neste levantamento por nós efetuado.

Concluo esta explicação sendo claro que, por mais que seja grande a tentação de largar tudo para o alto (até porque não é fácil se obter documentos e menos fácil ainda se estudar e preparar artigos científicos para as seleções), o conselho sincero é que se siga em frente em suas pretensões. Na pior das hipóteses, o que não cremos que ocorrerá, os projetos serão adiados em um ano. Entretanto, se, como em ocasiões anteriores, após um comunicado destes, alguns meses depois eles abrirem a seleção, muitos serão pegos “de surpresa” em sua desistência e perderão prazos de inscrição por não terem documentos prontos.

Como agir – O que se aconselha?

Meu conselho sincero, que passo aos meus clientes é agir em duas frentes desde agora:

  • Obter e preparar os documentos para envio
  •  Estudar para as seleções.

Não creio, como ressaltei, e acredito que não mencionando quem sou possa dar uma credibilidade maior ao que eu esteja dizendo, que as universidades fecharão completamente as seleções. Há muita coisa em jogo para que uma decisão desta seja tomada em relação a um curso em específico. Não pensem com a mentalidade do estudante iniciante. Pensem também com a mentalidade não apenas do médico, mas daquele professor universitário, com doutorado, que as universidades portuguesas querem atrair e que não poderia fazer sua equivalência de grau para ministrar suas aulas no país regularmente se os processos fossem inviabilizados. Não há muita lógica uma proibição geral.

Já atuo nisto há cerca de uma década, como disse. Em todo este tempo, apenas presenciei uma paralização de processos, que foi por conta da adesão das universidades ao currículo de Bolonha. Por força das próprias alterações dos programas de ensino, nesta ocasião, foi inviável que os processos se seguissem. Era necessário primeiro se alterar os programas para que houvesse equivalência. E, depois, se adaptar a metodologia dos processos de equivalência. Havia, pois, uma grave razão. Esta grave razão não ocorre no momento. O único motivo é um aumento de pedidos. E um aumento nem tão significativo. Se o Algarve tem hoje 400 processos para decidir é porque passou um ano inteiro recebendo processos sem decidir nenhum. E isto não aconteceu nas outras universidades.

Pretendia fazer isto como uma entrevista mas a forma narrativa acabou sendo inevitável. Era o que eu pretendia dizer para tranquilizar a todos. Tenham ânimo e sigam em frente. Não induzam raciocínios e concluam sem antes perguntarem às próprias universidades por escrito e colherem respostas de todas. Qualquer outro meio de conferência é sujeito a falhas e alterações de última hora. Para quem não está acostumado ao modo de ser português: as coisas só estão inviabilizadas quando eles disserem que estão. Não existe nada subentendido.

Cordialmente, um abraço a todos e meus melhores cumprimentos,

Advogado registrado em Portugal e no Brasil.

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Conversas do Harrison – Áudios

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Olá pessoal!

Antes de tudo, desejo um ano novo repleto de realizações , com muita paz e saúde. Para o pessoal do Brasil, principalmente meus amigos e colegas que moram no Rio de Janeiro, que os anjos guiem o caminho de cada um, livrando de todo perigo diário.

Comunico também que, muito provavelmente não farei nenhuma puplicação até novembro de 2018, bem como não terei tempo de responder mensagens privadas, por e-mail, Instagram e qualquer meio de comunicação.

Creio que deixei um material muito bom para cada um nesse blog, com contatos, links, respondendo aos comentários, dicas e indicação de grupos no facebook.

Meu último post do ano será sobre quem tomou boa parte do meu tempo, meu querido amigo Harrison. No meu post sobre esse exame, contei como fiz para estudar e o material utilizado, pois bem, a criadora do projeto Conversas do Harrison, gravou um áudio exclusivo para nós do blog, explicando como funciona, contato para adesão as conversas, aúdios gratuitos etc.

 

 

“Fátima, você não foi bem na prova, não tirou a nota necessária, esse método é bom?”

Sim. Esse método da Alexandra é muito bom, na minha opinião. Facilita na memorização, explica coisas que não tem nos slides das academias, assim como no próprio Harrison. O método faz com que tenhamos ritmo, disciplina, organização e, principalmente um ótimo esqueleto de todo o conteúdo cobrado na prova.

Eu estudei sozinha, tarefa ainda mais chata e difícil, com os aúdios tudo acabava por fluir melhor, fora que a Alexandra cria circuitos que acabam por ajudar na memorização.

Além dos aúdios de cada capítulo cobrado, ela disponibiliza as conversas em  5 minutos, onde fala dos assuntos mais importantes de cada matéria. Em resumo, um material com custo super acessível e de excelente qualidade.

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Prova do Harrison – Prova Nacional de Seriação.

 

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Olá pessoal!
Antes de inicar mais uma publicação, quero deixar claro o motivo de minha ausência no blog. Estive estudando muito nos últimos meses, muito mesmo, exatamente para essa prova que vou comentar no post.

Prova do Harrison, o que és tú?

Esse é um nome “carinhoso”dado ao exame para o procedimento concursal de ingresso no internato médico (residência médica no Brasil), conhecido também como PNS (Prova Nacional de Seriação).

Esse é o mesmo concurso utilizado para o acesso ao ano comum (assunto de outro post). Em resumo, ano comum é pré requisito para iniciar o internato (residência), como também para aqueles que ainda não possuem autonomia.

Fátima, é como no Brasil que fazemos várias provas?

Não. Aqui é um único exame para todas as instituições cadastradas. Todas as suas fichas são colocadas aqui, se não for bem no exame, já era! Terá que tentar nota no próximo ano.

Tem muita vaga?

Não! Exceto medicina de família. Mas nunca sobra vaga.

Esse exame é pago como no Brasil?

Não. O único custo que temos é com o envio através de carta registada (aqui se escreve assim), com aviso de receção.

 

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É uma prova difícil?

Sim, com toda certeza. Não por exigir um super raciocínio clínico ao responder as questões, longe disso. Mas pelo fato de ser uma prova extremamente decoreba, sem exageros. E decorar muitas páginas, com muitas tabelas, não é tarefa fácil. Fora que não basta decorar, você precisa entender, bem como fazer muita questão, ajudando assim na memorização. Creio que deu para perceber que não é uma tarefa fácil, como também não se adquire esse conhecimeto em poucos meses. O Harrison exige dedicação, quase um casamento, brincava que trai o Felipe por quase 7 meses, ele mais do que ninguém presenciou todo meu esforço, não sai de casa, estudava 6h no início, depois passei para 8h, depois para 10h e em alguns dias cheguei até 12h, sem exageros, isso foi real.

Fátima, mas mesmo com todo esse estudo você não conseguiu? Não! Então percebam que o buraco é fundo, não sejam vaidosos, respeitem esse exame, melhor dica que posso dar é essa.

Além de precisar ir com o máximo de informações para o exame, precisa levar em consideração o tempo, ele pode acabar com você. Temos 150 minutos para responder 100 questões, um minuto para cada questão, o restante fica para você marcar o cartão resposta e revisar. Tarefa puxada, pode apostar!

Outra coisa muito importante, tente manter o controle, não permita que o nervosismo tome conta da situação.

Nos últimos 15 dias antes da prova, fiz 1000 questões comentadas com tempo cronometrado.

Não se iluda, se você não estudar e não levar o Harrison a sério, não irá alcançar seu objetivo.

Outra coisa muito importante, para deixar esse exame ainda mais interessante (sendo totalmente irônica). As notas são absurdamente altas, pelo fato de não ter muita vaga, então o povo estuda ainda mais, tipo casas Bahia… Dedicação total a você.

Acho que deixei bem claro que não é brincadeira.

Esse ano, até o momento, soube de alunos TOPS da faculdade, que estudaram 14 meses e tiraram igual a mim ou um pouco mais. Então percebam que não é fácil.

Existe nota de corte?

Não. Se escolhe vaga até as mesmas terminarem. Ex: Um aluno fez 20 pontos, se tiver vaga ele vai entrar. Ano passado o último conseguiu vaga com 48 pontos para patologia.

Qual a data prevista para esse exame?

O exame acontece no mês de novembro.

Quando abrem as inscrições?

Em setembro.

Quando é publicado o edital?

Em agosto.

Fátima, o que é preciso para inscrição?

– Documento comprovativo do Número de Identificação Fiscal (NIF);

– No caso de cidadãos estrangeiros, autorização para o exercício de funções dependentes em território português ou declaração emitida ao abrigo do direito de livre circulação e residência dos cidadãos da União Europeia e dos membros das suas famílias no território nacional;

– Certificado comprovativo da conclusão de licenciatura/mestrado integrado em medicina ou da respetiva equiparação ou reconhecimento, com informação final da nota obtida, expressa ou convertida à escala de 0 a 20 valores;

– Declaração, emitida por estabelecimento de ensino superior, com indicação da classificação final do ciclo de estudos integrado em medicina, arredondada às milésimas;

– Certificado de inscrição na Ordem dos Médicos portuguesa, emitido há menos de três meses antes da data de apresentação da candidatura;

– Certificado do registo criminal, o qual pode ser substituído por declaração, sob compromisso de honra, conforme modelo disponível na página eletrónica da ACSS, I. P., de que nada consta do seu registo criminal;

– Documento comprovativo da realização, com aptidão, da prova de comunicação médica, se aplicável;

– Documento comprovativo do reconhecimento do exercício autó-nomo da medicina, se aplicável;

– Declaração comprovativa de tempo de formação especializada (anos e meses) já cumprido à data de abertura do procedimento concursal, se aplicável;

– Declaração de compromisso de honra;

– Requerimento da inscrição;

– Certificado do grau de assistente/especialista, com identificação da área de especialização, se aplicável.

Existe algum manual para ajudar?

Manual

Caso erre ao preencher o formulário digital, o que acontece?

Nada. Basta enviar um e-mail para ACSS informando o ocorrido. Após análise dos documentos o que necessitar de alteração, será feito pela equipa (aqui se escreve assim) competente.

Qual bibliografia utilizada?

19.º Edição do Livro Harrison’s Principles of Internal Medicine, na sua versão física, não integrando esta referência os capítulos já disponíveis em versão eletrónica.

Fátima, não pode ser! Terei que ler o Harrison todo?

Não é bem ele todo, mas grande parte dele. Tudo sobre: Pneumo + Gatsro + Nefro + Hemato + Cardio.

Existe algum curso preparatório como medcurso?

Sim. Exame da especilidade e Academia da especialidade.

Qual você recomenda?

Acho injusto falar isso, bem como é algo bem pessoal. Então, entre no site, pesquise e faça sua própria avaliação.

Você fez algum curso?

Não! Infelizmente quando iniciei o estudo em maio, o curso já havia iniciado e também não tinha dinheiro para pagar.

Como você fez?

Uma pessoa muito querida chamada Tami, me apresentou outra guria muito espacial chamada Luisa. Luisa já havia passado pelo exame e tinha todo o material, ela forneceu absolutamente tudo para mim, sem me cobrar nada. Mais tarde, minha querida amiga Polly, tb ofereceu material.

Nesse tempo, em conversa com a sofia, outra guria muito especial, me indicou as conversas do Harrison, são aúdios com explicação de cada capítulo, paguei cem euros (isso ainda dava).

Foi assim que estudei, peguei os slides dos cursos (são 9545 slides), li esse material por 5 vezes, li resumos, li uma coisa ou outra no livro, fiz muita questão comentada, escutei os áudios por 5 vezes (tinha áudio que durava mais de 03 horas), no mês final me inscrevi no intensivão, chamado de essencial (duração de 1 mês aproximadamente).

Como faço para ter acesso as provas antigas?

Prova do Harrison

Fátima, tem algo que achou injusto ou estranho?

Sim. Aqui existe segunda chamada, não há fiscalização de ponto eletrônico ou detector de metal, não há fiscalização rigorosa para ida ao banheiro, podemos trocar resposta após a mesma ter sido maracada no cartão resposta… Então usem a imaginação de vocês.

Como foi no dia da prova?

Minha prova foi num local muito confortável, fiscais simpáticos e tranquilos, não tenho o que reclamar. Fizeram uma chamada e entrávamos na sala, assinávamos uma folha após apresentação do cartão cidadão. Após todos sentados, distribuiram três cores de provas, então nem tente olhar para o lado… Primeiro que o tempo é curto e depois que você não vai encontrar nada.

Apenas podemos sair quando o tempo de prova terminar, os 2628 inscritos saem juntos.

Guia de estudoGuia início estudo

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Revalidação nos Estados Unidos por: Dr. Júlio Pereira (Blog Neurocirurgia Brasil)

É com muito prazer que eu divulgo o trabalho deste colega, não só pelo excelente trabalho por ele executado mas pela neurocirurgia ser uma grande paixão minha desde os 13 anos, apesar de não seguir carreira.

Neste post, apresento um novo amigo, que conheci através de meu marido: Dr. Júlio Pereira.

Ele escreve um blog muito bem redigido e com ótimas informações sobre Neurocirurgia, bem como um artigo especifico sobre revalidação de diploma nos Estados Unidos.

Se quiser conhecer sobre revalidação nos Estados Unidos, clique aqui.

Seguem os links do Dr. Júlio Pereira para quem quiser conhecer sua trajetória, as entrevistas que deu em diversos programas de televisão, dando explicações sobre diversos assuntos neurológicos e neurocirúrgicos tais como AVC, aneurisma, tumor cerebral, etc. Uma grande referência para todos que desejam entender sobre essas doenças !

 

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Além disso, ainda é escritor de alguns livros, como o famoso “Após um tumor cerebral” (link para compra digital) e “Escrito em letra de médico” (link para compra). Também é famoso por diversos aplicativos que ajudou a desenvolver, como o Neuroexame bem como um Curso para estudantes de Medicina acerca de Neurocirurgia para o Interno.

Quanto mais conheço o Dr. Júlio Pereira, mais eu acho que ele tem dois irmãos gêmeos e não fala.

Mais alguns links do Dr. Júlio Pereira

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Blog Neurocirurgia Brasil

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Site Pessoal

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Youtube

 

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Trabalhando como médico em Portugal

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O relato abaixo foi escrito por meu marido em seu Facebook. Acho que exemplifica bem o começo do trabalho de quem vem para cá e exerce Medicina em Portugal.

Um novo Sistema de Saúde, infraestrutura diferente e nuances que, só ao longo do tempo, serão entendidas.

Fotos de um dos hospitais que trabalho hoje em Portugal.

Fica em Santarém.

Hoje, trabalho não como neurocirurgião, mas como clínico de urgência.

Quis escrever esse post para terem noção de como é aqui.

Meu começo não está sendo fácil mas não está ruim. Estou gostando de voltar a estudar várias coisas e ajudar mais pessoas.

Não tem almoço de graça … um passo para trás para dois para frente (objetivo, a especialidade. Se anestesia ótimo, se não der, tem CTI, Radio, etc. o importante é ser especialista, ganha-se uns 6 a 8 euros a mais por hora que no montante faz uma boa diferença e o trabalho é mais ameno).

Neurocirurgia é passado (pelo menos é o que eu acho por enquanto). Quero coisas novas para arejar minha vida e ter mais desafios. Talvez usar minha “expertise” em especialidades (neuroanestesia, neurointensivismo, neuroradiologia, etc.)

Então vamos lá, algumas comparações de quando trabalhava no Brasil:

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1-) Distância
Ainda estou começando aqui, logo, não estou no “filé”, próximo a minha casa. Demoro de 40 min a 1h e 15m para chegar no trabalho. Entretanto, não pego trânsito (às vezes perco uns 5 a 10 minutos do transito do pessoal que vai para Lisboa, mas logo entro em outra estrada vazia. Além disso, estradas impecáveis, vistas fenomenais, sem sinais de trânsito e sem medo de arrastão ou assalto pelas motocas. Entretanto, no Brasil, onde me pagava melhor, demorava o mesmo tempo (Hospital Pedro II em Santa Cruz).


2-) Atendimento
Sem “barracos”. Não existe a falta de respeito que via diariamente com o profissional. Ninguém ousa levantar um dedo aqui. Quando levantam, são colocados no lugar rapidinho. Ninguém tem medo de ninguém aqui (afinal, vc pode estar falando com a ném do chefe do tráfico e levar uns tiros na saída do Hospital não ?). Urgências cheias, mas não tão cheias como nos hospitais onde trabalhava. Vc pode fazer uma anamnese e exame físico decentes. Tudo se pede no computador (labs, imagem, prescrição, solicitações à enfermagem, etc.). Colocamos o cartão da Ordem dos Médicos em um leitor e esse é o seu carimbo. Não se usa caneta. Paciente sai com impressão do resumo do que escreveu para entregar ao Médico de Família para demais orientações. Fazemos tudo no sistema Alert (para quem tiver interesse de conhecer, achei esse link mostrando como é). Importante esclarecer que eles utilizam o Sistema Manchester de Classificação. Nós que conseguimos equivalência e somos generalistas, atendemos pacientes verdes e amarelos (menos graves) e os colegas da Medicina Interna (especialidade, por prova como nossa residência médica, 5 anos de duração) atendem os laranjas e vermelhos. Aproveito para mostrar a duração de cada curso no Internato Médico por aqui (Lista_duração_especialidades_12_10_2012.pdf).

Muito atendimento tosco também, com uma triagem falha (peguei um doente que queria antibiótico para cárie … isso ao meu ver, não deveria nem entrar, mas não gera nenhum estresse, apenas o volume desnecessário que vai minando ao longo do dia). Atendo em 24h, aproximadamente uns 20 a 30 pacientes, mas resolvo todos (ou quase todos, ficando 1 ou 2 para o próximo terminar).


3-) Transferência
Sinto falta de especialistas onde trabalho. Neurocirurgia por exemplo só tem em um ou outro hospital. Então o paciente tem que ser transferido. Ambulância é do Hospital e não demora quase nada.


4-) Acesso à toda informação do paciente
Toda a história dele no Sistema de Saúde está no computador. As consultas ambulatoriais (o que os especialistas escreveram, os remedios que foram prescritos, relatórios dos exames, etc.) ficam listadas. Vemos também as consultas de Urgência anteriores e isso dá uma idéia do problema atual.


5-) Descanso
Confesso que descansava bem mais quando especialista. Hoje descanso umas 2 a 3 horas no máximo. Em um dos hospitais que trabalho, durmo no chão (nada diferente do Pedro II onde as camas quebravam) mas por opção minha. Poderia dormir na maca onde os doentes são examinados (como acontece em muitos lugares no Brasil também) mas sou meio avantajado para isso. Não tem paciente querendo entrar no estar médico para fazer barraco porque alguns profissionais estão no descanso em horários mais vazios. Não quero nem imaginar o que aconteceria a este indivíduo se ocorresse isso aqui.


6-) Comida
É paga. Não gratuita como no Brasil. Mas não me lembro de quase ninguém comer no refeitório porque a comida era de péssima qualidade. Logo, nada diferente. Entretanto, paga-se 4.50 euros para comer uma refeição boa, com escolha de 3 carnes (tipo bacalhau, frango, porco, peixes, outro dia até provei arraia !) e o restante como quiser (arroz, batata, legumes … sinto falta do feijão, mas fazemos em casa), uma lata de refrigerante e uma sobremesa. Refeitórios amplos e limpos e não tão barulhentos.
Na copa, tem biscoitos, pão com manteiga, suco, geladeira, mesa, arroz-doce, entre outros.


7-) Material
Aqui, escolhemos a luva de procedimento (P,M ou G). Não falta nada. Gasometria vem em um kit pronto. Eletrocardiograma, dependendo do lugar, é um técnico que faz. Aparelhos de pressão no consultório (infelizmente os paciente amarelos e verdes não vem com sinais vitais checados) . Termômetro timpânico. Aparelho de pressão digital, só colocar e anotar.
Oftalmoscópio e otoscópio em cada sala. Maca em cada sala.


😎 Respeito
Aqui há bastante respeito com o médico e a enfermagem. É tudo, “Sr. Doutor” pra cá e pra lá. Ouvem, compreendem, não questionam. As pessoas não saem entrando pelas portas, por onde não devem passar, etc.


9-) Colegas
Tenho muita ajuda nesse começo de adaptação a um novo sistema e na clínica geral, muito importante. Meus colegas de urgência são muito solícitos (uma maioria) e entendem minha situação (neurocirurgião virando clínico … não é boa coisa haha). Entretanto estudo todos os dias para me reciclar e aproveitar isso também para a prova de residência aqui.
Confesso que estou me aborrecendo um pouco com colegas mais velhos aqui (uma minoria) e de outras especialidades que simplesmente te acham um zero. Como sei do meu passado, do meu currículo, às vezes aperto aquele “botão” e outras eu confronto e tento colocar a pessoa no seu devido lugar. Mas como não posso me dar ao luxo por enquanto (pois estou no começo, tenho que fazer um nome, etc.), tento evitar. Eu nunca solicitava um parecer antes de conversar pessoalmente e ver se era algo que podia resolver … mas até assim, levo coice. Logo, acho que devo começar a pedir os pareceres sem conversar mesmo. Melhor solução.


10-) Diferenças
Aqui não tem radiologista. Tudo por teleradiologia. Radiologistas acho que ganham menos pois dão laudo de casa. Não temos como discutir com radiologistas (no meu caso queria para aprender, como fazia no Brasil).
Enfermagem em maior número, porém fazem mais do que no Brasil (o técnico de enfermagem quase nada faz, administração de medicamentos só vejo enfermeiro fazer, técnico é para levar paciente, colocar na maca, virar, limpar, dar comida, etc.).
Estacionamento mais amplo no hospital.
Limpeza e organização impecáveis.
Poucos paciente no corredor (aqui tb tem !)
Horario de 9 as 19 e 8h as 20h, mas tb existem horários alternativos como plantões de 15 horas (3 sendo 3 até meia noite e dois de meia noite até outro turno).
Não se escreve na prescrição. Todas as medicações já estão prontas no sistema … é só clicar. Mesma coisa com o laboratório, vc vai clicando nos exames que quer. Troponina de alta sensibilidade no público.
Um hospital que trabalho, colhemos a gasometria e depois coloca-se em um tubo que vai por uma cano, chegando direto ao laboratório no andar superior (vi tentarem no Hospital Miguel Couto no Rio, onde trabalhava, mas não sei se ainda funciona).
Chamamos os pacientes por alto-falante, não tem que ficar se levantando a todo momento para chamar ninguém.
Poucos portugueses nas urgências (muitos estrangeiros, angolanos, venezuelanos, bolivianos, romenos e brasileiros). Os portugueses estão se especializando e/ou saindo de Portugal.


11-) Valores
Ganhamos de 19,25 a 25 Euros/Hora como generalistas, 26 a 28 euros como especialistas e 40 a 50 euros como anestesistas. Parece pouco, mas depois que vc vê o custo de vida, vê que dá para viver uma vida boa, sem luxo (nesse começo pelo menos, onde só eu estou trabalhando e Fátima estudando) mas sobra um pouco para guardar. No Brasil, ganhávamos muito bem porém gastávamos muito para manter um padrão confortável e com segurança. Sobrava pouco. Aqui não há ostentação, a não ser de currículo. Carro, roupa, etc. ninguém liga.

Acho que é isso, se esqueci de falar algo me lembrem !

Espero que gostem, Fiz pensando que gostariam de saber como é por aqui, seja por curiosidade ou interesse.

Em suma, se os colegas que não vêem a mínima possibilidade de dar esse passo para trás e passar por tudo isso que estamos passando, uma dica: nem percam tempo!

Às vezes, pode-se tentar a sorte de conseguir revalidar a especialidade, mas não será de graça. Terá sacrifício, doação de tempo sem receber por isso, anos a mais, gastos sem retorno e dupla função (fica como indo em estágio quase diário e tem que tirar forças para trabalhar depois para pagar as contas em plantões de generalista).
A não ser que você tenha um MEGA currículo e os portugueses “abram as portas” para você de mão beijada (como se vc fosse um “superstar” para eles e eles querem você de qualquer jeito e que, mesmo assim não acredito, pois ninguém quer ter seu brilho ofuscado não é mesmo ?), acho que será dessa forma.

Por isso minha decisão de começar do zero e encarar o problema de frente.

Vamos ver no que isso vai dar e quero ler esse post nas Lembranças do Facebook em alguns anos !”

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Universidades de Medicina em Portugal com processos de Equivalência em curso

Olá colegas!

Percebo que muitos têm dificuldade em encontrar informações sobre as Universidades, lista de documentos, quais estão com processos abertos etc. Por isso, tentarei manter esse post atualizado com essas informações, bem como os links, facilitando assim sua busca.

Em Portugal temos 07 faculdades de medicina (link), mas nem todas realizam o processo de equivalência.

  • Universidade de Coimbra – não realiza o processo de equivalência. Porém possui ótimos cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado. Vale conferir!

  • Universidade Nova de Lisboa – realiza o processo de equivalência. Até o momento, apenas realizará a finalização dos processos de 2017. Mas fiquem atentos, pois pode abrir a qualquer momento.

(Procedimentos__Equivalência_à_Licenciatura_em_Meduicina_e_atribuição_do_Grau_de_Mestre_em_Medicina).

(Aviso_Reconhecimento)

Data das provas – (AVISO_equivalência)

Para mais informações: academicos@nms.unl.pt


  • Universidade do Algarve: NÃO ABRIRÁ PROCESSO EM 2018. Em caso de dúvidas, entrar em contato.
  • enviar e-mail para: acad@ualg.pt

  • Universidade da Beira Interior –Até a presente data, não há informação sobre abertura do processo para 2018.

Busquei nos grupos do facebook e achei essas orientações dadas por e-mail. Então, enviem mensagem questionando sobre o processo caso tenha interesse.

Retirado do Site:

“Equivalência/Reconhecimento

(ao abrigo do Decreto-Lei nº 283/83, de 21 de Junho)

O Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho estabelece um sistema de equivalência/reconhecimento com base numa reavaliação científica do trabalho realizado de habilitações estrangeiras de nível superior, às equivalentes habilitações portuguesas, com vista à obtenção do grau correspondente. Pode também obter informações na DGES

PROCEDIMENTOS

Para solicitar equivalência/reconhecimento do curso estrangeiro, deverá ter em conta os cursos ministrados pela UBI na mesma área ou em área afim em http://www.ubi.pt/Cursos

O pedido deve ser feito em formulário próprio em conformidade com a Portaria n.º 1071/83, de 29 de dezembro, (estes formulários estão disponíveis na página da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, podendo igualmente, ser adquiridos nos Serviços Académicos da UBI).

Aquando da instrução do pedido de equivalência, o requerente deve ter em atenção os documentos referidos nos artigos 4.º, 8.º e 12º do Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho, conforme o grau a que é solicitada a equivalência. Estes documentos deverão ser devidamente autenticados pelo agente consular português no País de origem do diploma e/ou legalizados pela Apostila de Haia nos termos da Convenção relativa à Supressão da Exigência da Legalização de Atos Públicos Estrangeiros, assinada em Haia a 5 de outubro de 1961. (Pode também consultar o site da DGES)

O pedido de reconhecimento terá enquadramento, apenas quando se verifique o disposto no capítulo V do artigo 14º do Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho que deve consultar

Os prazos são os descritos no Decreto-Lei n.º283/83, de 21 de junho, artigos 6.º, 10.º (60 dias úteis após nomeação do júri) e o artigo 13.º (60 dias úteis após a instrução completa do processo).

Os emolumentos devidos correspondem ao valor afixado na tabela de taxas e emolumentos da UBI. http://www.ubi.pt/…/S…/53/Paginas/288/Despacho_2014_R_23.pdf

Será necessária a tradução quando os documentos sejam escritos numa língua estrangeira que não o espanhol, francês, inglês ou italiano. As traduções deverão ser devidamente certificadas pelas autoridades competentes para o efeito.

O pedido de equivalência deve ser acompanhado dos seguintes documentos gerais:

Certidão de Nascimento ou Cópia documento de identificação (BI/C.Cidadão/Passaporte; NIF), facultativo.

Requerimento apresentado pelo(a) interessado(a) ou por seu representante legal (procuração), utilizar formulário próprio (portaria nº1071/83 de 29 de dezembro). No formulário deve mencionar obrigatoriamente e de forma legível, 1) O grau de que é requerida equivalência e o estabelecimento de ensino onde foi obtido, 2) O curso lecionado na Ubi ao qual é pretendida a equivalência, acompanhado dos seguintes documentos:

Equivalência ao grau de mestre (capítulo III – artigo 8º) (a)

Diploma comprovativo da titularidade do grau de licenciado ou equivalente legal;

Diploma emitido pela universidade estrangeira, que comprove a titularidade do grau de mestre;

Documento emitido pela universidade estrangeira, onde constem as disciplinas em que obteve aprovação, a classificação final e, quando aplicável, apresentar os conteúdos programáticas e respetivas cargas horárias;

2 Exemplares da dissertação (formato digital ou em papel);

2 Exemplares de curriculum vitae (formato digital ou em papel);

Regulamento fixando as condições e admissão ao grau de que é requerida equivalência, aquando da obtenção do mesmo;

(a) Nota: Informamos os requerentes com habilitações de grau ou diploma de diferente natureza da de mestre que só poderão ser aceites pedidos de equivalência ao grau de Licenciado, para os cursos da UBI que são Ciclos de Estudo Integrados, com exceção dos requerentes com formação em Medicina, que conforme as Normas internas para a concessão de equivalência ao grau de mestre em Medicina, na Universidade da Beira Interior e respeitanto os prazos para a entrega do pedido (para as provas a realizar no ano 2017 – 20/04/2017) referidos no Anexo I das referidas Normas, devem formalizar o seu pedido, apresentando os seguintes documentos:

Formulário da INCM, modelo n.º 525 – Requerimento de Equivalência ao grau de Mestre;

Certidão de Nascimento, fotocópia do documento de identificação ou passaporte (facultativo);

Diploma do Curso (licenciatura em Medicina ou mestrado integrado em Medicina);

Documento emitido pelo estabelecimento de ensino onde constem as disciplinas em que obteve aprovação e que conduziram à obtenção do grau, duração dos estudos e a classificação final (ou as classificações parciais caso aquela não seja conferida);

Dois (2) exemplares de cada dissertação, caso exista, considerada autonomamente no plano de estudos;

Programas das disciplinas e respetivas cargas horárias do plano de estudos do curso de Medicina frequentado;

Currículo académico e profissional do candidato, acompanhado dos respetivos comprovativos;

Documento comprovativo do pagamento de todas as taxas e emolumentos, que não serão devolvidas no caso de desistência do processo;

Documento (Minuta) em que o requerente declara que só efectuou o pedido de equivalência nesta Universidade e que aceita que todas as comunicações que lhe forem dirigidas sejam efectuadas para o endereço de e-mail que indica neste mesmo documento;

Requerimento de inscrição para a Prova de Língua Portuguesa.

Se pretender solicitar dispensa da Prova de Língua Portuguesa deve formalizar o pedido através de requerimento, solicitando a dispensa, anexando a este um documento que comprove a habilitação do nível B1 do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, em Língua Portuguesa.

Todos os documentos originais devem ter tradução quando sejam escritos numa língua estrangeira que não o espanhol, francês, inglês ou italiano. Os documentos originais e as respetivas traduções terão de possuir a apostila de Haia ou ser reconhecidos por agente diplomático ou consular português no Estado onde o requerente obteve o grau e a assinatura deste agente, sendo autenticada com o selo branco consular respectivo.”


  • Universidade do Minho – realiza o processo de equivalência. Até o momento nenhuma publicação para 2018. Link

  • Universidade do Porto – Fiquem atentos, brevemente terá abertura o processo de 2018. Link (ler item Equivalências/Reconhecimentos Habilitações Estrangeiras)

  • Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – U.Porto (onde fiz meu processo) – realiza o processo de equivalência, mas pelo o que pesquisei se encontra fechada no momento. Deixo o site para quem desejar buscar maiores informações.

Sobre dúvidas em relação aos documentos, não hesite, entre em contato com a instituição. Demais dúvidas, caso possa ajudar, deixe o comentário que respondo.

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Inscrição e pedido de autonomia na Ordem dos Médicos de Portugal

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Inscrição e pedido de autonomia na Ordem dos Médicos de Portugal

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Como prometido, dou continuidade aos passos. No post 2, parei no sexto passo, então vamos lá! Em 17 de agosto de 2016, recebi o documento de equivalência pela Universidade do Porto, com isso tracei uma meta de em três semanas levantar todos os documentos que precisava para realizar a inscrição e pedido de autonomia. Já aviso: NÃO FAÇAM ISSO! Nossa, Fátima, o que houve? Vocês vão entender que é pouquíssimo tempo para arrumar tudo.

Lista de documentos para inscrição (link para maiores informações)

DOCUMENTOS A APRESENTAR POR CIDADÃOS COMUNITÁRIOS LICENCIADOS FORA DA UNIÃO EUROPEIA

1 – O requerimento de inscrição apresentado por cidadãos comunitários, licenciados fora da União Europeia, deve ser acompanhado dos seguintes documentos:

  1. a) Bilhete de Identidade, Passaporte ou Autorização de Residência, ou fotocópia autenticada ou conferida pelos serviços da Ordem dos Médicos;
  2. b) Certidão de licenciatura ou fotocópia autenticada;
  3. c) Certificado de equivalência, emitido por estabelecimento de ensino superior português;
  4. d) Certificado do registo criminal, emitido há menos de 3 meses;
  5. e) Cartão de contribuinte fiscal ou fotocópia autenticada ou conferida pelos serviços da Ordem dos Médicos;
  6. f) Três (3) fotografias originais, tipo passe (foto 3×4, normalmente “apanhamos” até descobrir o que é);
  7. g) Prova da honorabilidade profissional, emitida pela entidade competente para o registo e controlo disciplinar dos médicos do país de origem ou proveniência, que ateste que o interessado se encontra em condições legais de exercer a profissão sem restrições e que não existem processos disciplinares pendentes ou sanções disciplinares;
  8. h) Curriculum Vitae elaborado e instruído de forma a comprovar o exercício profissional lícito e efectivo da profissão médica;
  9. i) Certificado de nacionalidade (pode ser dispensado mediante apresentação do passaporte).

2 – Para determinar se é viável o exercício autónomo da profissão, deverão os interessados juntar prova da experiência profissional adquirida durante três anos consecutivos nos últimos cinco e currículo que será submetido à apreciação da Ordem dos Médicos, nos termos previstos no Regulamento para o Exercício Autónomo da Medicina.

3 – Salvo deliberação do Conselho Regional competente em contrário, o interessado que nunca tenha estado inscrito na associação profissional que regula a profissão médica no seu país de origem ou proveniência, deverá, em substituição do documento referido na alínea g) do número anterior, juntar certidão que confirme esse facto.

4 – Sempre que o interessado não demonstre preencher as condições a que se refere o n.º 2 deste artigo, mas cumpra todos os demais requisitos, apenas poderá ser inscrito para o exercício da profissão sem autonomia.

5 – Caso o diploma extra-comunitário tenha sido reconhecido por Estado-membro da União Europeia, o Conselho Regional competente procederá à avaliação desse diploma e da formação e/ou experiência profissional adquiridas nesse Estado, de forma a apurar se são equivalentes aos exigidos em Portugal.

6 – Para efeitos do previsto no número anterior, o interessado deverá juntar, além dos referidos no n.º 1, os seguintes documentos:

  1. a) Certificado de equivalência, emitido por entidade comunitária competente;
  2. b) Documentos comprovativos do exercício profissional realizado no Estado-membro que reconheceu o diploma extra-comunitário;
  3. c) Documentos respeitantes à formação complementar/contínua obtida nesse Estado-membro.

7 – Aos cidadãos referidos no número 1 é exigida a aprovação em prova de comunicação médica, a definir em regulamento próprio.

8 – Estão dispensadas da prova referida no número anterior os licenciados por

Universidade cujo ensino seja ministrado em língua portuguesa.

Não disse que vocês entenderiam que o tempo foi curto. rs

Continuando… Todos os documentos, prestem atenção TODOS devem estar com o selo de Haia. Fátima, mas não é isso que fala na lista de documentos. Ok, concordo! Mas eu passei pelo processo e sei o que estou falando. Se desejam evitar problemas e mimimi, coloca esse maldito selo em tudo. Digo maldito pois gastei 2500 reais com meu marido, fora que ao levar no cartório, descubro que todos os documentos devem ser digitalizados e não fica pronto no mesmo dia, assim como o selo estava em falta. Esse “Kinder Ovo”  apareceu faltando dois dias para nosso embarque.

Após tanta confusão e nervosismo, chegamos na Ordem dos Médicos do Porto. Eu tremia igual vara verde, medo absurdo de algo dar errado. Sentamos, falamos o que desejávamos e começaram a avaliar cada documento. Num determinado momento, resolvem dizer que meu diploma estava errado (mesmo com o selo). A questão foi a porcaria do selo de autenticidade, que não tinha como não existir pelas leis brasileiras, a coisa foi tão séria que perguntei se queriam ficar com meu diploma original. Sabem qual foi a resposta? – Doutora, seu diploma original não possui o selo de Haia, então ele não me diz nada, pode ser falso. OIIIIIIII? Tive uma criança que nem na minha barriga habitava. No fim, tudo foi resolvido. Porém foi muito chato!

Documentos entregues, preenchemos e assinamos algumas folhas e, orientados a aguardar aproximadamente três meses. Na primeira semana de novembro, recebo essa carta:

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Como não podia “abandonar” o trabalho mais uma vez, assim como as passagens estavam caríssimas, pedi mais umas vez auxílio ao advogado Rafael Perszel (rafael@perszel.com.br) para realizar minha inscrição. Tinha apenas 60 dias a contar da data do envio da carta.

Em 20 de dezembro, estava inscrita e com número, faltando apenas solicitar a cédula profissional.

O processo do meu esposo teve resposta apenas em janeiro de 2016, demorou mais pois ele conseguiu a autonomia.

Perguntas frequentes:

Existe diferença no processo do Porto e Lisboa?

Sim. No Porto podemos dar entrada na inscrição junto com o pedido de autonomia. Em Lisboa, primeira a inscrição e depois o pedido de autonomia.

Conseguindo a cédula pelo Porto, depois preciso validar em Lisboa por serem cidades diferentes?

Não. Aqui é totalmente diferente do Brasil. Podemos atuar em qualquer canto de Portugal, sem ter que dar baixa ou entrada em determinada cidade.

Existe algum valor anual pago?

Sim. 130 euros. Quem não possui autonomia é mais barato, no caso 80 euros.

Caso tenham mais alguma pergunta, deixa nos comentários que respondo.

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Como é ser médico em Portugal?

Titulo

Como é ser médico (a) em Portugal?

Colegas de profissão, para poder trabalhar aqui é necessário ter a equivalência (como explicado o passo a passo no Post 2). Com ela em mãos, iremos solicitar a inscrição na Ordem dos Médicos de Portugal (irei escrever sobre esse processo). Após poucos meses receberá uma das duas respostas:

– Exercício da profissão com autonomia (situação do meu esposo)

– Exercício da profissão sem autonomia (meu caso)

Fátima, qual a diferença?

  • Na primeira, o profissional se encontra apto para atuar no país como generalista. Porém prestem atenção que, grifei a palavra generalista. Aqui em Portugal, chegamos assim, podendo trabalhar apenas como clínico geral, não podemos dar plantão em emergência vermelha, CTI ou qualquer outro setor, nesses locais apenas os especialistas, não sendo a mesma bagunça do Brasil. Profissional em Portugal precisa ser qualificado para assumir determinado setor. Caso queira ser especialista cá, necessita revalidar a especialidade (explicação) ou fazer o internato (residência). Só existem essas formas.
  • Na segunda, o profissional precisa realizar o ano comum (parecido com nosso internato), após esse ano, terá uma prova e tudo correndo bem consegue autonomia. Deixando claro que nesse período o profissional não pode trabalhar, bem como não irá conseguir emprego.

 

Quanto ganha um médico generalista?

Antes de falar sobre valores, informo que apenas trabalhamos em postos de saúde, penitenciárias e urgências, mas nas urgências apenas pacientes classificados como azul, verde, amarelo (classificação de risco), nada além disso. Quando escrevo isso é apenas para exemplificar que nossa contratação é para esses atendimentos bem básicos, alguma complicação passamos para a medicina interna, por exemplo.

Dependendo do sítio escolhido para residir teremos, mais ou menos ofertas de trabalho. Podemos receber entre 16 até 27 euros por hora de trabalho (façam contas entre 19 e 21 euros), sendo esse valor bruto (post 9 – item IRS). Um especialista pode ganhar de 28 até 70 euros por hora de trabalho. Estou falando de valores pelo serviço público, não tenho idéia de valores praticados em hospitais privados, porém dizem pagar melhor.

Os locais de trabalho são distantes?

Na grande maioria sim. Dependendo da sua morada, pode levar até duas horas de carro.

Começo a trabalhar automaticamente?

Não! Para iniciar seu trabalho em Portugal, necessita de NIF, IBAN (conta bancária – como abrir?), abertura de atividade nas finanças, seguro social, seguro de trabalho, cédula profissional, comprovar morada, ter visto ou cartão cidadão. Com todos esses documentos em mãos, as empresas enviam para os hospitais analisarem seu curriculum.

Posso fazer uma pós-graduação para ser especialista?

Não existe pós-graduação para conseguir uma especialidade, existem cursos de pós-graduação, mas nenhum deles irá conferir especialidade.

Consigo abrir um consultório sem especialidade?

Não vejo possibilidade alguma. Muito provavelmente, para abrir um consultório você terá que comprovar requisitos básicos. Não faço idéia de como montar um consultório, bem como documentos solicitados.

Outro detalhe, sem provar ser especialista aqui, como vai conseguir inscrição nos seguros de saúde (planos de saúde)? Qual cidadão português irá confiar sua saúde num médico estrangeiro e sem especialidade reconhecida cá?

Como faço para revalidar minha especialidade?

Explicação no post 7.

Quanto tempo dura o internato (residência)?

12 meses (ano comum) + 6 anos (neurocirurgia e outras)

12 meses (ano comum) + 5 anos (cardiologia, anestesio, neurologia, radiologia etc.)

12 meses (ano comum) + 4 anos (medicina de família)

Consigo “pular” o ano comum tendo autonomia?

Não soube de nenhum caso. Esse ano meu esposo vai ao exame, quando tiver mais detalhes, escrevo sobre.

O ano comum é remunerado?

Sim! Valor de 1400 euros bruto.

Como funciona o pagamento?

Em Portugal recebemos por hora trabalhada, não se utiliza o termo plantão, chamamos de banco de horas, pois na verdade você monta o seu horário. Ex: Desejo entrar 10:00 e sair 14:00. Após montar e cumprir seu banco de horas no mês, vamos passar o recibo verde com o valor total das horas trabalhadas, até o dia 15 receberemos em conta o valor pelo mês trabalhado.

O médico é valorizado?

Sim! Aqui um médico é bastante valorizado e tem seu reconhecimento pela população.

Os hospitais são como no Brasil?

Não! Aqui você tem condições de trabalho, bem como protocolos. Também jamais terá uma fila de atendimento com 70 pacientes aguardando na tela, não vai assumir um plantão faltando insulina ou determinados exames. A medicina é muito mais organizada, não há comparação.

Fátima, você não tem autonomia, mas conseguiu trabalho?

Consegui emprego, mas não como médica. Foi oferecido auxiliar de serviços gerais (técnico de enfermagem), com uma remuneração bem baixa, 5 euros por hora sem os descontos. Também poderia trabalhar em lanchonete, em farmácias etc. Minha opção foi permanecer em casa estudando para o internato (residência).

Caso alguém tenha mais alguma dúvida, deixa um comentário que respondo se souber.

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