Como revalidar a especialidade médica em Portugal?

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Olá pessoal!

Hoje trago um assunto que causa muita dúvida, incerteza e acaba por fazer muitos desistirem. Porém, melhor saber a verdade do que ficar cheio de ilusões.

Consigo revalidar minha especialidade?

Antes de responder, deixo uma coisa bem clara, pois isso de certa forma me incomoda. Recebo muitas mensagens e leio muitos comentários do tipo: “Olha, é fácil, pega os documentos, entrega e automaticamente você já é médico (a) em Portugal”. Pior que isso é quando perguntam: Posso comprar a passagem e ir? Vocês estão bem de vida? Felipe já abre muita cabeça (ele é neurocirurgião)? Em resumo, perguntas sem assimilação nenhuma de conteúdos.

Quando você entra nesse processo precisa vestir uma camisa chamada “eu não sou nada e nem ninguém” em Portugal. Nossa Fátima, que horrível, que energia negativa, como assim não sou nada? Sim, aqui quando chegamos é assim, ninguém me conhece, não temos história cá, existe reserva de mercado, nossa formação é bem diferente, os protocolos acabam por não ser iguais, o sistema de saúde não é o mesmo… com tudo isso sabemos que precisamos ter nossos pés firmes ao chão e nos adaptar, assim como ganhar território paulatinamente.

Após passar pelo processo de equivalência (Post 2 e Post 6), inscrição na Ordem dos Médicos e finalmente possuir sua cédula profissional, todos iniciam como generalista, podendo atender apenas em centros de saúde, penitenciárias e urgências, sendo esse último local apenas pacientes classificados como verde e azul (cefaléia, pico hipertensivo, febre, atendimento básico). Aqui, logo de cara percebemos como é diferente do Brasil, onde um recém-formado faz plantão em CTI e emergência vermelha. Até hoje não conheço ninguém que tenha entrado trabalhando em sua especialidade e na minha opinião, acho impossível, pelo pouco que vi. Em outra postagem falo como começar a trabalhar e ofertas de emprego.

Guardado para si a informação acima, vamos ao processo em si e no fim darei alguns depoimentos que li e escutei, como o depoimento de meu esposo.

Link das especialidades em Portugal 

Novo Estatuto da Ordem dos Médicos (ler a partir do artigo 125.º em diante)

Para informações mais detalhadas como documentação necessária para dar entrada no processo, sugiro ligar ou entrar em contato diretamente com a Ordem dos Médicos.

Um colega publicou no grupo que acompanho que, após envio do e-mail solicitando maiores informações à Ordem dos Médicos, recebeu a seguinte resposta:

“… uma vez inscrito na Ordem dos Médicos de Portugal, poderá solicitar a equivalência da Vossa especialidade: Enviando requerimento solicitando a equivalência da especialidade ao abrigo do Artigo 92º, 2º do Estatuto da Ordem dos Médicos, acompanhado de 5 Currículos (1 em papel e 4 em suporte digital) detalhando o seu percurso na especialidade assim como documentação comprovativa em como é detentor da mesma, um dos Currículos deverá ter documentos comprovativos originais ou fotocópias autenticadas…”

É possível revalidar a especilidade?

Publicação de um colega no grupo do Facebook: “Colegas, vou relatar o que me foi repassado por dois especialistas que estão em Portugal, um há 12 anos e o outro há 10 anos. Ambos fizeram o curso de residência médica no Brasil (em anestesia). Tendo obtido a equivalência e a autonomia, ambos solicitaram ao colégio de especialidade a validação da mesma. De modo protocolar foi negada. Depois disso ambos pediram para serem avaliados. Este pedido foi aceito. A prova por que passaram foi extremamente difícil (ambos disseram isso). Três dias de avaliação, com prova teórica, oral/escrita, arguição do curriculum, e um paciente (real – internado) serviu de caso clínico, em que foi solicitada uma entrevista, um plano de conduta pré, trans e pós-operatória. Este estudo de caso deveria ser preparado e entregue em um formato acadêmico bastante rigoroso, como uma pequena monografia (só lembrando que os colegas passaram visita numa tarde, preparam o caso, o estudaram e defenderam no dia seguinte), esta monografia foi questionada, e o caso debatido por 3 professores, junto com o candidato. Na tarde do terceiro dia, de todos os tópicos da residência médica (lá de Portugal – aqui no Brasil são 64) foram sorteados pelo candidato 5 e, por 3 horas, na presença de 3 membros do colégio de anestesia, os colegas expuseram seus conhecimentos sobre o tópico, seguidos de perguntas dos avaliadores. O resultado foi o seguinte: para um dos meus colegas, o mais velho, já com 25 anos de experiência, naquela data, foi concedida a especialidade, para o mais jovem (tinha saído da residência naquele ano, zero de experiência aqui no Brasil), foi solicitado complementação de conteúdo – 4 meses no programa de dor crônica e 6 meses em terapia intensiva. Feito os estágios e depois de entregues, foi conferida a especialidade.

Meu esposo é Neurocirurgião, com título de especialista pela Sociedade brasileira de Neurocirurgia, com experiência há 10 anos. Após conversa com chefes de serviço de Neurocirurgia e alguns colegas de outras especialidades, optou por refazer a residência, pois não era certo conseguir o título, assim como a incerteza de remuneração nesse período. Não é algo impossível, mas extremamente difícil, ainda mais que as residências cá são muito mais longas (neurocirurgia 06 anos, anestesio 05 anos e assim vai).

 Em 2014, conversamos com um anestesista, foi solicitado curriculum detalhado, bem como um resumo de todos os anos da residência contendo banco de horas, programa das disciplinas e anestesias realizadas, após isso precisou refazer algumas disciplinas e submetido à prova.

Não se esqueçam, cada um faz a sua história, para alguns será mais fácil que para outros, porém nada é impossível quando se deseja algo. Escolham o melhor caminho para si e não desistam.

Se gostou, clique no anúncio abaixo para me ajudar a continuar contando minhas histórias e compartilhe com seus amigos.

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5 Comments

  1. Maria Rosa disse:

    Vc sabe qual o tempo de duração da residencia em Hematologia?

    Curtido por 1 pessoa

  2. Taise disse:

    Boa tarde, Fatima! Eu não entendi uma coisa: todos que solicitam a equivalência de diploma precisam prestar o Ano Comum ou só as pessoas que irão fazer residência em Portugal? No caso, meu esposo já é anestesista no Brasil há anos e gostaria de tentar validar a especialidade em Portugal, mesmo não querendo fazer residência aí ele precisa prestar o ano comum? Obrigada!!

    Curtido por 1 pessoa

    • Fatima Calani disse:

      Oi Taise!
      O ano comum é obrigatório para quem for iniciar o internato (residência), tenha autonomia médica ou não.
      Caso após equivalência do diploma e posterior inscrição na ordem, não tiver autonomia, só poderá trabalhar após completar o ano comum.
      Seu esposo pode tentar revalidar a especilidade, caso consiga, não terá que fazer ano comum.
      Boa sorte!!

      Curtir

  1. […] assumir determinado setor. Caso queira ser especialista cá, necessita revalidar a especialidade (explicação) ou fazer o internato (residência). Só existem essas […]

    Curtido por 1 pessoa

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